Anne às 4h da manhã não sabe mais o que pensar, ao passar a madrugada assistindo filmes que só a fizeram pensar o quanto ela amava Paul e o quanto ela sabia que não podia se enganar mais. Ele não a amava, talvez amasse, mas ela não se sentia amada, totalmente o oposto de quando eles se conheceram que ela pensou que fosse pra sempre.
Paul não ligava mais e suas conversas agora eram restritas. Risos agora eram raros e os beijos não passavam de contato.
A dor e a angustia que Anne estava sentindo naquela madrugada eram tão reais quanto as lágrimas que caiam dos olhos, quanto a garrafa de café no criado-mudo e quanto o notebook e o celular que ela ainda insistia ver a cada vinte minutos na esperança de ver uma mensagem ou uma ligação perdida. Era em vão, tudo continuava igual, exceto a bateria do celular que estava ficando mais fraca e o tempo que passava.
Anne resolve levantar da cama e andar pela casa, já que não tinha mais café na garrafa, o nó na garganta aumentava, pois ela sentia a presença de Paul pela casa inteira, podia vê-lo na copa, na sala, como um flashback e as borboletas que moram na barriga dela acordaram, fazendo aquela madrugada ficar mais dolorosa e fria.
Ela sabe que ele não se importa mais com ela, que a presença dela já não é prioridade e nem agradável pra ele. Ela percebe que perto dela, ele fica perguntando as horas de quinze em quinze minutos e a lembrança disso ainda queimava o coração dela de tristeza. O quanto será que Anne tinha errado em ficar com Paul? Nem ela sabia responder isso. Ela só queria acabar com isso, mas o amor que ela cultivava por ele na esperança de que ele acordasse no outro dia sentindo a falta dela era grande, maior do que a coragem dela de falar para ele que não queria mais nada. Ela voltava há ter treze anos perto dele, ficava frágil, pequena e ele não queria mais protegê-la do mundo que cercava ela ou não queria mais estar com ela no mundo.
Anne descobriu naquela madrugada que os sonhos não podiam ser construídos em cima de pessoas. Pessoas são tão frágeis que não suportam todo o peso de um sonho e acabam derrubando esse sonho fazendo-o quebrar. Sonhos são feitos para serem alicerçados num solo forte, para que quando eles alcancem as nuvens não se desprendam do chão.
Ela descobriu também que as pessoas que ela julgava serem grandes eram tão miúdas e frágeis quanto ela, mas isso foi culpa dela e não dessas pessoas e chegou a conclusão que grandes mesmo eram somente os sonhos dela.
Anne aos poucos está descobrindo o que é o amor e que só é amor, quando é mútuo, amor solitário não é amor, é ilusão.
Anne não sabe ainda o que vai fazer a respeito de Paul, mas ela sabe que tem gente que ainda ama ela e que ninguém precisa mendigar a companhia e o amor de ninguém. Anne obteve de volta o orgulho dela.
E Anne parou de pensar em Paul e foi dormir, ela só precisava pensar nela mesma.
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Um beijo da Anne e um meu. (:
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